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dia 31/33

Se até à última semana a moral estava em alta, acabei de entrar no calvário. Â duas sessões de terminar isto, a acumulação de radiação começa a deixar marcas no pescoço (queimaduras evidentes e feridas a aparecer), dores de garganta (que associadas à perda de apetite me retiram toda a vontade de comer) e agora a náusea que certos cheiros me provocam. Já devo ter perdido uns 6 kg, uma parte nota-se na massa muscular, a outra felizmente da barriga, mas é na cara que estou “francamente mais magro” segundo alguns colegas. Na 2a tenho dose dupla - 8.00 e 20.00 - para acabar com isto é adivinha-se uma semana com algumas dificuldades até poder voltar a comer direito.  Já a pele, em Maio conto estar ok. Só falta um danoninho, há que cerrar o dente e fazer os últimos metros da corrida.

dia 23/33

Começo a ver a luz ao fundo do túnel, e não é o comboio em contra mão. Faltam 10 sessões, com a Páscoa pelo meio, o que corresponde a cerca de duas semanas completas. A moral está forte, algumas dores de garganta e falta de apetite, devido à alteração do paladar. Tudo me sabe mal e como apenas pela necessidade, mas já perdi uns kgs. Com sorte acabo isto dentro dos 71/72kg e poupo uma ida à Nutribalance. Já o último feedback do médico relativamente à lesão também foi positivo, a imagem da mesma está difusa, o que significa que a destruição celular está a acontecer a bom ritmo e que ainda há tempo para que a coisa se suma de vez. De resto, algum impacto na redução da hemoglobina, ficando contudo dentro dos parâmetros “normais”, e a pele na zona do pescoço a evidenciar algum desgaste, muito vermelha e mais sensível. Neste ponto é muito importante a pausa de fim de semana (agora na Páscoa são três dias) para recuperar até ao final dos tratamentos, que ficarão nos 3/4 durante esta semana. C...

dia 17/33

Metade da jornada está feita mas os efeitos vão sendo cada vez mais evidentes. Perda de paladar, de cheiro, nada me sabe bem. A juntar a isto, dificuldade de respirar pelo nariz, pequenas hemorragias nasais, vale que a dificuldade de engolir é pouca. No final, como para “encher” e meter alguns nutrientes. Está na hora de tomar uns suplementos e ver como correr a 2a mão, que seja melhor que a do Mourinho.

Dia 11/33

Dia preenchido, análises, tratamento e consultas de radioterapia e oncologia. Um terço do tratamento feito e os sinais começam a dar sinal: algumas dores de garganta, dificuldade de engolir e menos 2kg de peso, o que não é nada mau. Sinto-me em ótimas mãos mas as coisas vão começar a ficar mais difíceis, levo algum reforço de medicação (o magnésio está mais baixo, ha um ligeiro fungo na garganta) mas há que fazer este caminho passo a passo, ou neste caso dia a dia. Amanhã há mais...

dia 5 e 6

Os dias passam sem grandes novidades, boca mais seca e hoje tive a minha consulta de seguimento. E já se passou uma semana, com as rotinas a entrarem nos eixos para as semanas futuras. O paladar ainda cá está, hoje apareceu-me a primeira afta depois da sessão, vamos ver se o fim de semana permite recuperar forças e poupar um pouco a pele à radiação. Amanhã concluo 10% do tratamento, já faltou mais.

dia 3 e 4

Nada de relevante a assinalar, felizmente as dores de garganta de 6a desapareceram - devia estar a chocar qualquer coisa - e estas sessões foram tranquilas. Até o Benfica ganhou para animar as hostes. Noto alguns efeitos secundários na saliva (mais espessa) e certas coisas têm um sabor diferente, hoje despachei 11% do tratamento.

Dia 2

Ontem foi dia do segundo tratamento e confesso que cheguei a casa ansioso. Avisaram-me que dores de garganta e dificuldade para comer começam a partir da 3a semana mas deitei-me com algumas dores a engolir, se isto é assim no 2o dia... Ja estou a planear as compras da próxima semana, uns iogurtes de proteína e começar a apostar forte nos batidos e nas sopas para não perder força e levar isto a bom porto. Vamos ver como corre a próxima semana...

Day one

Comecei ontem a radioterapia. Foram quase 15 minutos á benfica (do antigamente) e no meio da nova rotina deixei documentos no hospital, esqueci-me doutros em casa, tenho que me habituar a esta nova rotina para que nada falhe. Ao início do dia tive a boa notícia que o seguro suporta isto a 100%, sempre evito gastar mais de uma dezena de milhar de euros e por outro lado suporto os exames a 100% porque o plafond de ambulatório já foi. Comecei a terapia pouco mais de 60 dias após a 1a consulta, considerando que pelo meio tive a quinzena do natal e do final de ano e que depois do primeiro diagnóstico foi necessário perceber o estadiamento da coisa, não foi nada mau. Que este “early warning” tenha uma conclusão semelhante à de 2003.

On your marks, get set,...

Está quase a começar a terapia. As últimas duas semanas foram intensas, surgiu um gânglio suspeito (once again) mas depois de alguns exames adicionais la me safei da quimio e vou-me contentar apenas com a radioterapia. 33 sessões de 15 minhotos, 7 semanas que irei relatando por aqui, contando os dias como os reclusos. Careca não vou voltar a ficar, já tostadinho parece-me que vai acontecer. currahee

Ter um cancro na pandemia

Confirmou-se o mau e o bom, o diagnóstico é de facto um carcinoma maligno, o bom é que estará numa fase 0/1 de estadiamento, pequeno e sem expansão. No entanto ha um gânglio suspeito - deja vu de 2003 - mas nesta altura, com a panóplia de tecnologia, vai-se observar e logo se vê se evolui, se for o caro la terei que fazer uma quimio. A terapia está definida, 33 sessões de rádio com 15 minutos cada, uma maratona de 7 semanas que segundo o médico vai começar a ser “mais exigente” a partir da 5a - dificuldade em engolir, falta de saliva, queimaduras a custar mais e algumas possíveis lesões na boca.  Em 2003 foram foram cerca de 12 semanas e sempre a cair fisicamente, desta vez estou mais preparado e sei que tenho que me precaver fisicamente.Começo dia 22, para a semana, e a grande preocupação é não ficar infetado pelo covid, o que me levaria a ter que parar o tratamento, eis-me num confinamento mais restrito Sinto-me tranquilo, bem acompanhado e com vontade de mandar o bicho embora ou...

PET

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Fiz esta semana um exame diferente, quando o marquei na medicina nuclear fiquei logo curioso mas depois de ler umas coisas percebi que o PET permite detetar metastases e perceber porque o bicho anda. Numa primeira fase a coisa parece controlada, está no sítio dele, com um gânglio suspeito a necessitar de atenção. Curiosamente, o suspeito de 2003 continua la, sossegadinho, com7 mm e sem grande relevância na imagem. Em cerca de 6 semanas ter praticamente tudo diagnosticado, especialmente com 2 semanas de “festas” pelo meio, foi muito bom. E se considerarmos a época covidiana em que estamos, só tenho que dar graças à saúde privada. Afinal foram 3 TACs, 2 ressonâncias, 1 biópsia e o PET, estando uma nova biópsia no “forno” para os próximos dias. A terapia será certamente radioterapia, vamos ver se não tenho mais nenhum deja vu. On vá voire 

Diagnóstico

A caminho do 3o exame, uma novidade hitech onde a radiação não me vai deixar dar colo à minha filha. Modernices que não existiam em 2003. So após isto conseguem perceber o estadiamento da coisa e que terapêutica irei ter. Cada noite começa pensativa mas acaba assim Nachtmusik

A vingança dos Sith

18 anos depois e vejo-me num deja vu estranho, com um mixto de revolta e de ansiedade. 18 anos depois o meu “amigo” voltou a dar à costa. Outros tempos, outro contexto, mas uma vontade doida de lhe fazer a folha. Escrevi muito sobre ele aqui no início deste blog, que entre fogachos e tímidas reaparições já está quase com 15 anos. Que me faça companhia hoje como me fez no passado. A jornada que aí vem vai ser dura mas só a vitória é que interessa. m 

Memórias eternas

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Amanhã é dia 6 de Junho. Este dia ficou para a história como o Dia D, o dia dos dias em que se iniciou a libertação da europa ocidental do ocupação nazi. Passaram 74 anos e as memórias dos que viveram esses dias são cada vez mais reduzidas, à medida que muitos dos sobreviventes vão falecendo com o peso dos anos.  Curiosamente, o dia de hoje, 5 de Junho foi o dia do assassinato de Robert Kennedy. Nesse trágico ano de 1968, com cerca de dois meses de diferença, perderem a vida duas das personalidades mais tolerantes e disruptivas da sociedade americana. Deixo um discurso brilhante, de improviso, em que Robert Kennedy anunciou em Indianápolis a morte de Martin Luther King. Por todo o sul rebentaram motins de revolta, mas o povo de Indianápolis foi sereno num momento de raiva e amargura. O meu tributo a um grande político, cuja familia foi perseguida pela tragédia.

Telhados de vidro

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Voltando ao futebol, esta época foi marcado por muitos casos, que geraram muito ruído e acabaram depois por terem um efeito ricochete. Bruno de Carvalho acusou o Benfica de subornar árbitros com vouchers e camisolas e está neste momento a braços com um problema grave com a investigação aos resultados do andebol. O Porto, rei dos tempos do apito dourado, fala agora em cartilhas e toupeiras, enquanto o Benfica se fecha em copas e ameaça com queixas crime. Por onde andam os tempos de Donato Ramos, Olegàrio Benquerença, José Guimaro, a fruta e o chocolate. A realidade é que hoje as pedras têm vai e vem, e por mais que se queiram acusar certos culpados, há sempre dano colateral a quem as atira. E falando em pedras (mil desculpas mas não consegui o vídeo traduzido)...

Final da época

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E hoje terminou a época futebolistica, este ano com a promessa de um Junho mais animado devido ao mundial da Russia, sobre o qual falarei mais tarde.  O campeão foi justo, pois no ultimo derbi na Luz foi a unica equipa que quis ganhar, a taça de Portugal vai ficar na historia pela vitória do David frente a um Golias, que apesar de muito mais forte sofreu o maior terramoto da sua história após os acontecimentos de Alcochete. Curiosamente, o distinto presidente do clube de Alvalade entendeu não ir ao Jamor por não ter condições mas ainda não tinham terminado os noventa minutos e já estava ativo nas redes sociais a pedir harmonia familiar e solidariedade institucional. Hoje muita gente se esquece que o que se escreve na internet chega facilmente a muita gente, e que textos a quente são muitas vezes o catalisador de outros males. Dá vontade de ter um par de olhos a rever o que escrever, ao estilo do clássico que aqui deixo. Para o ano há mais...

Olhos de quatro patas

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O mundo está virado ao contrário. Enquanto as prioridades das esquerdas nisto da igualdade de género quer colocar jovens de 16 anos a decidir sobre algo irreversível, ontem li que uma associação quer agir contra uma tia de Cascais por ter chamado a dois homossexuais um termo comum ao vernáculo luso. Com todo o respeito pelas pessoas que são diferentes, também constatei após ouvir (mais uma) grande reportagem da TSF que em Portugal apenas existe uma escola de cães-guia, de onde saiem anualmente entre 12 a 18 animais treinados, que durante cerca de uma década são os olhos do seu “dono”, pois os animais são propriedade da escola. Percebi na referida peça que o atual problema é a substituição de animais, pois a reforma é um direito destes canídeos, e que há pessoas a aguardar mais de um ano por um companheiro que lhes restitui o dom da “visão”.  Com tanta gente a defender a igualdade de direitos, fico perplexo com tanta preocupação na discussão da pilinha e do pipi e consta...

Fusão perfeita

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Sempre gostei dos sons "duros" de uma guitarra e AC/DC foram um marco da minha adolescência. Recentemente passei o concerto pois fiquei vacinado de ver o Axl Rose em palco em 1991, mas quando por acaso me cruzei com este grande "dueto" não podia deixar de o partilhar.  Nos últimos anos considero os Muse uma das bandas referencia, afinal ter apenas três músicos a encher um palco (justiça seja feita que ao vivo há um quarto elemento) mas ouvir o Matt Bellamy a tocar um dos riffs mais famosos do Angus Young é mel para os meus ouvidos que anseiam por musica deste estilo. Fica a partilha.

Já chegou a primavera?

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Não querendo parecer injusto com o S. Pedro, que em 2017 deve ter contrariado meio mundo e tirou férias noutro destino que não Portugal, e depois de um tímido registo de pluviosidade em Janeiro e Fevereiro deste ano, foi com alegria que li que só em Março choveu mais que nos seis meses antes, e que a benesse permitiu recuperar o país de uma seca que se prolongava há cerca de dois anos e cujas marcas se notaram de forma evidente por todo o pais.  Estando-se a aproximar o fim do mês das "águas mil", espero que Maio nos brinde com um tempo digno da estação e que comecemos a deixar a roupa de chuva em casa. Até lá, vamos vendo a chuva intervalada com o sol.

Escolhas

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Recentemente começou o meu novo desafio, com algum nervoso miudinho relativamente à receção pelos meus pares e com a certeza que irei continuar a entregar ao nível que sempre habituei quer as chefias quer os colegas. Sendo a vida feita de escolhas, deixo uma bela versão de um clássico dos Chungitos (uma banda romani da vizinha Badajoz) que foi elevada a um nível de excelência por Manu Chao.