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Diz a lenda que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.

Chegando lá, constatou um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:

"- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.

Se fazes isso por necessidade, transijo... mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. "

E o ladrão, confuso, diz:- "Fidalgo, afinal eu levo ou deixo os patos?"

Comments

Dias said…
Lá está... um belissimo insulto :)

Abraço a Setubal, terra de gentes boas.

E sim, levem os patos.
Paulo said…
Já tinha lido algures...

O Bocage era tremendo! Curioso... eu ando aqui com um texto dele para colocar no meu Blog faz muito tempo... temos muitas ideias parecidas :)
Mestre said…
Paulo,

acontece-me o mesmo no teu cantinho. Na volta tens o poema da água. :)
Sem Naufragar said…
Adorei este. Consigo imaginar-te a proferir estas palavras.
Às vezes fazes lembrar-me esta personagem, pelo preciosismo LOL
É bem!

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