Wednesday, May 21, 2008

Ícones ou talvez não

Desde sempre que os portugueses se viraram para o “filho pródigo”, aquele que quando aparecer irá resolver os males, ao estilo do Messias que veio salvar o mundo.

Começou com o D. Sebastião, que alguns esperavam numa madrugada de nevoeiro para livrar Portugal dos espanhóis, como se o jovem imberbe que usou a coroa soubesse governar alguma coisa.

Mas nos dias de hoje este sentimento ultrapassa temas e encontra reflexos nas diversas áreas. É no PSD, onde Manuela Ferreira Leite é vista como aquela que irá trazer o PSD de volta ao governo, no Benfica, onde Rui Costa é tido como o salvador do clube a partir do momento que passou a director desportivo e até na selecção, onde Cristiano Ronaldo é visto como aquele que nos vai dar as vitórias e levar Portugal aos ombros.

Depois lembro-me de outros factos na história, lembro-me da selecção grega que se sagrou campeã da Europa em Lisboa sem vedetas, da Irlanda, que conseguiu um milagre económico histórico a partir da década de 70 sem heróis individuais ou da Suécia, país com poucas riquezas naturais que se transformou num exemplo de bem-estar social e cívico.

Os esforços colectivos ultrapassam sempre os individuais, a história ensinou-nos isso e no desporto somos constantemente confrontados com esse facto. Pena que aqui no burgo deixemos as coisas andar e esperamos pelo “milagre”, que muitas vezes quando chega pouco pode fazer. Já diz o ditado popular: “Santos da casa…”

3 comments:

Pratas said...

Tudo isto é triste... ao menos se não fosse real...

Está tudo a apertar o cinto, o governo não baixa impostos do combustível mesmo com os valores actuais, e o povinho aperta o cinto enquanto o governo faz o que bem entender. É um país para os ricos.

Mário Franco said...

Com um país milagreiro como o nosso não se espera outra coisa...

Dias said...

Oh Sr Mestre, tem para aqui um Post do melhor que lhe tenho lido, quase que me corroi-a as engrenagens do subconsciente.

Grande abraço num grande post