Sunday, August 24, 2008

Selva de betão

Tenho sempre alguma curiosidade quando abro o caderno do imobiliário no Expresso, afinal este sector é um pouco a referência do estado da nação. No entanto, apesar de se falar em crise na venda de apartamentos no país, em Lisboa as novas urbanizações crescem a olhos vistos, como uma praga de gafanhotos que teima em encher o nosso horizonte.

Curiosamente, o preço pedido por um T2 nesses novos empreendimentos nunca está abaixo dos 250 mil euros, com a respectiva inflação de preços que chega aos 400 mil euros por T3 ou T4. Depois notam-se as dificuldades na venda e as obras paradas a meio mas o carrossel não pára.

Dois casos fizeram-me rir à gargalhada. Um, o pedido de meio milhão de euros por um prédio novo no Restelo, perto do CCB, onde um aquário de vidro ficou emparedado entre dois edifícios já existentes. Por acaso passei por lá a pé a semana passada e acredito que fará as delicias do voyeur mais atrevido, já que as janelas estão a 90º dos novos vizinhos. O segundo caso foram as duas tarjas enormes que anunciam apartamentos à venda na torre S. Gabriel, um sinal que a crise chegou a todos e que, como em tudo na vida, não é dificil chegar ao topo. Dificil é mesmo ficar lá por cima.

A esperança é que o mercado dê mesmo o estoiro e, finalmente, começem a construir zonas verdes e áreas de lazer, afinal a cidade vai morrendo nesta selva de betão.

2 comments:

Pratas said...

Espero bem que dê o estoiro. Haverá assim tanta gente com esse dinheiro para comprar casas a esses valores? Parece que sim apesar de eu querer acreditar que não...

Tanta gente que não consegue comprar uma casa, e outros que compram casas como quem compra roupa, para já não falar dos que receberam casa e nem uma mísera renda querem pagar.

Venham as zonas verdes..

Dias said...

Mas se quem pode vive de Verde rodeado, para que diabo se construiriam Verdes em detrimento de um qualquer outro lucro?

Não te iludas porque quando o imobiliario se esgotar, alguem inventa outra forma de ser mais rico à custa das tuas necessidades e nunca do teu bem estar.

Abraço