Saudades

O ano passado foi marcado pela morte de várias figuras, da política às artes, da economia à musica.
Se alguns me trazem recordações de frases célebres, pensamentos teóricos ou feitos realizados, uma ainda hoje me causa um arrepio quando o ouço.

Comecei a gostar de Soundgarden no secundário, no inicio dos anos 90, onde o grunge de Seattle marcava a tendência da época, com os Nirvana e os Pearl Jam a liderarem os gostos de uma juventude irrequieta. Vi-os ao vivo no célebre concerto de Alvalade em 1993, que ficou famoso pelo espalhanço do Axel Rose na atuação dos Guns'n'Roses, mas que tiveram nos Soundgarden e depois em Faith No More duas das melhores bandas alternativas que ainda hoje são presença assídua nas minhas viagens e tempos mortos.

Cornell tinha uma voz forte, de marcar presença. Depois dos Soundgarden e dos Temple of the Dog, uma breve carreira a solo terminou quando fundiu o seu registo com o som dos Rage Against the Machine nos Audioslave. No match perfeito os graves de Cornell sublimam a harmonia de Tom Morello, com o baixo de Commerford e a bateria de Brad Will a marcar o ritmo. 

Custou-me ver um talento jovem desaparecer, não compreendendo a angustia que possa levar alguém ao suicido mas nas suas letras e performances ficou para a história um dos melhores musicos da minha geração.

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